terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

11 pessoas somem por dia em São Paulo

13.089 pessoas que desapareceram no Estado de São Paulo entre 1º de janeiro de 2008 e 9 de fevereiro deste ano e cujo paradeiro ainda é desconhecido, conforme dados da Polícia Civil obtidos com exclusividade pelo JT. São cerca de 11 pessoas sumidas por dia, entre crianças, idosos, homens e mulheres.
Os homens respondem pela maior parte desse contingente: 8.544, sendo 1,4 mil deles com histórico de doença psiquiátrica, mental ou alcoolismo. Desse total, 71% tinha mais de 18 anos e outros 17%, de 13 a 18 anos. Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), eles somem mais do que as mulheres por um conjunto de fatores: quebram o vínculo com a família mais facilmente, se envolvem mais com crimes e usam mais álcool e drogas.
As mulheres desaparecidas somam 4.545. Metade delas entrou nessa condição ainda na adolescência, diferentemente dos homens, que somem mais na fase da adulta. Outras 1,6 mil (35% do total) já tinham mais de 18 anos. De acordo com o DHPP, as garotas normalmente fogem antes da maioridade para escapar da opressão sofrida em casa ou para viver com um namorado. Segundo a polícia, casos de vítimas recrutadas para exploração sexual são esporádicos.
Também estão na lista de desaparecidos 320 meninos e meninas com até 7 anos e 657 crianças na faixa dos 8 aos 12. Às vezes, são vítimas dos próprios parentes. É comum, segundo o DHPP, serem raptadas por pais divorciados. Nestes três anos, parentes e amigos comunicaram às delegacias paulistas o sumiço de 63.150 pessoas, sendo 19.445 na capital. Desse total de queixas, 50.061 foram esclarecidas. Boa parte dessas pessoas reapareceu espontaneamente.
Outras vítimas, entretanto, são encontradas mortas, a exemplo da advogada Mércia Nakashima. Ela desapareceu em maio de 2010 e foi achada sem vida no mês seguinte, em uma represa, supostamente morta pelo ex-namorado Mizael Bispo de Souza. Mais 117 desaparecidos foram localizados mortos no ano passado (1% das 12.099 ocorrências esclarecidas em 2010). Além de homicídio, há vítimas de acidentes de trânsito, afogamento e até suicídio.
O DHPP atribui a dificuldade nas investigações a fatores como a extensão do território brasileiro, a falta de informações de familiares (que às vezes desconhecem a rotina do parente), a inexistência de um sistema unificado de identidade no País e ao descumprimento pelos hospitais da lei que os obriga a informar à Delegacia de Desaparecidos quando um paciente em estado grave chega desacompanhado.

Com informações do JT

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os EUA só querem deixar o bagaço para os outros

Dessa vez tiveram que engolir o caroço
O governo brasileiro recebeu com "satisfação" o relatório final do painel da Organização Mundial do Comércio (OMC) que decidiu a favor do país em sua ação contra os Estados Unidos pelas tarifas impostas ao suco de laranja procedente do Brasil.
"O governo recebeu com satisfação as determinações do painel e espera que sejam confirmadas no relatório final", assinalou em comunicado o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, país que é o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja.
O relatório foi anunciado a menos de um mês da visita que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará ao Brasil nos dias 19 e 20 de março, e na qual serão abordados algumas divergências comerciais entre ambos países.
A Chancelaria acrescenta em sua nota que, após a nova decisão da OMC sobre o caso, espera que os Estados Unidos "abandone definitivamente a prática do 'zeroing' (zeramento) em todos os procedimentos para combater o comércio desleal".
O Brasil questionou perante a OMC a prática de 'zeroing' que os Estados Unidos usa para supostamente inflar artificialmente os preços mínimos sobre os que aplica tarifas extraordinários a fim de evitar a concorrência desleal de outros países, especificamente no caso do suco de laranja.
"Brasil defendeu que a prática do 'zeroing' distorce o cálculo da margem de comércio desleal ao ignorar aquelas operações nas quais o valor da exportação do produto é superior a seu valor normal no mercado interno. A prática, portanto, é incompatível com diversos dispositivos da OMC", acrescenta.
A Chancelaria se absteve de divulgar o conteúdo do relatório final do painel de analistas da OMC devido a que "foi entregue às partes do caso de caráter confidencial".

Com Agência EFE

Alckmin congela quase R$ 2 bilhões em investimentos

Alckmin congela quase R$ 2 bilhões em investimentos e custeio
O valor contingenciado (congelado) pelo governo Alckmin alcançou a cifra de R$ 1,78 bilhões, representando um corte de R$ 733 milhões (11,9%) nos repasses para investimentos das empresas públicas, de R$ 732 milhões (6,9%) para investimento direto e de R$ 315 milhões para o custeio. Por secretaria, se verifica que as mais afetadas são as de transporte (R$ 304 milhões), transporte metropolitano (R$ 830 milhões) e habitação (R$ 200 milhões).
O contingenciamento de recursos é uma forma de congelar despesas e aponta que elas podem não ser realizadas. Em 2010, o governo paulista arrecadou quase R$ 9 bilhões a mais que o previsto e, para este ano, se prevê algo próximo a este valor. Desta forma, o contingenciamento mostra quais projetos e despesas não será prioridade no governo de Geraldo Alckmin.


Vale destacar, ainda, o grande contingenciamento na secretaria de Direitos de Pessoas com Deficiência, área cara ao ex-governador, que chega a 12% dos recursos, mas congela 20% dos investimentos e quase 10% dos recursos de custeio. O contingenciamento atinge 14% dos recursos para ações de inclusão social para pessoas com deficiência.
Corte nos transportes é de R$ 244 mi
Na aréa dos transportes, o contingenciamento se concentra nos investimentos atingindo o valor de R$ 244 milhões (11%). Entre os recursos congelados, 20% seriam para recuperação de rodovias estaduais, 19% para terminais rodoviários, 12% para duplicação de rodovias e 10% para recuperação de vicinais. Além disto, R$ 46 milhões de repasse para a Dersa foram bloqueados.
O governo paulista ainda contingenciou R$ 29,6 milhões, 10% dos recursos totais, para ressarcimento de gratuidades voltadas para idosos, estudantes e desempregados. Além dos mais, com todos os problemas do Metrô, chama a atenção que se bloqueie R$ 40,6 milhões para material rodante, especialmente compra de trens, que representa 6% dos recursos previstos. Além disso, houve também o contingenciamento de R$ 24 milhões para a modernização do sistema metro-ferroviário. Isto torna mais grave a situação do metrô e pode ampliar as possibilidades de acidentes.

Serra desdenhou construção das refinarias no NE

Durante a campanha eleitoral José Serra declarou que não deveriam ser construídas refinarias no Nordeste.
Já o presidente da Petrobras diz que não investir em refinarias é "suicídio a longo prazo". No Nordeste são três, uma em construção, e projeto para mais duas.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, voltou hoje (21) a defender investimentos em refinarias no Brasil. Em evento no Rio de Janeiro, Gabrielli disse que é “suicídio a longo prazo” não investir em refinarias neste momento. “Estamos no limite da capacidade de refino. Temos que construí-las agora, porque só ficarão prontas em 2016 ou 2017”, disse o presidente da estatal.
A Petrobras tem hoje capacidade para refinar 1,8 milhão de barris por dia, abaixo da produção diária de óleo, que é de cerca de 2 milhões de barris. De acordo com Gabrielli, hoje as refinarias existentes no Brasil operam com 90% de sua capacidade.
A Petrobras está construindo duas refinarias (Abreu e Lima, em Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro) e tem projetos para construção de mais duas: no Maranhão e no Ceará. Com isso, a capacidade de refino no país subirá para 3,2 milhões de barris por dia, em 2020, ainda assim bem abaixo da produção projetada de 3,9 milhões de barris de óleo diários.
O presidente da Petrobras explicou que um dos grandes problemas para o futuro está na capacidade de refinar gasolina. As novas refinarias em construção terão um trabalho focado no refino de diesel, querosene de aviação e petroquímicos.
Gabrielli não quis antecipar quais são os projetos da Petrobras para novas refinarias além das quatro já previstas. Mas, segundo ele, as próximas refinarias terão projetos mais flexíveis, isto é, permitirão o refino de diferentes tipos de derivados de petróleo.
Segundo o presidente da Petrobras, os investimentos serão detalhados no próximo planejamento estratégico, a ser divulgado em maio deste ano.

Com informações da Agência Brasil

As capas que não estão no livro da Folha de S.Paulo




A mega-loja trambiqueira de luxo vai fechar

A mega-loja de luxo da massa cheirosa vai fechar as portas
Ao mesmo tempo, a empresária Eliana Tranchesi aguarda um desfecho para a sua grife. Na próxima semana, a Daslu fará assembleia com 200 credores para aprovar a entrada de investidores na empresa por meio de um leilão. Em recuperação judicial desde o ano passado e com um dívida estimada em R$ 80 milhões, a empresa pode passar para as mãos de um novo grupo. Embora saiba que não tem nenhum poder sobre a decisão da Justiça, Eliana acredita que vai surpreender. "Eu vou voltar com a Daslu que todo mundo ama", disse a empresária ao Estado.
A Daslu começou a micar cerca de 40 dias depois da inauguração da butique, em 2005, quando Eliana recebeu uma visita surpresa da Polícia Federal - que resultou na sua prisão. Acusada de fraude em importação, formação de quadrilha e falsidade ideológica, Eliana foi condenada a 94,5 anos de prisão - a decisão cabe recurso. A dívida fiscal, que não é afetada pela recuperação, supera R$ 500 milhões.
A relação com a cliente fiel era tão direta que, em suas viagens de compras, nos showrooms das grifes internacionais, Eliana e sua sócia, Donata Meirelles, faziam os pedidos já pensando nos "heavy users".
O estacionamento custava R$ 30, mas os clientes exclusivos ganhavam um cartão para entrar sem pagar (hoje, o ingresso de carro não se dá mais pelos imponentes portais com cancela da Rua Chedid Jafet, mas por uma rampinha escondida no final da Avenida Juscelino Kubitschek).
Quando Eliana despontava com seu Porsche Cayenne de R$ 450 mil na portaria do casarão, dois empregados no interior subiam as escadarias acarpetadas borrifando purificadores de ar para "limpar"a passagem.
"Até para conseguir trabalhar lá tinha fila. Fiz o teste em 2004, mas só fui chamada um ano depois e ainda assim para ser caixa. Eu amo a Daslu. Sempre quis trabalhar aqui", diz subgerente da loja do Shopping Cidade Jardim, que prefere não se identificar, aberta bem depois do escândalo. No auge da exposição, uma das dasluzetes era a filha do então governador, Sofia Alckmin.
Com a migração de dasluzetes e de marcas importadas para o Shopping Cidade Jardim, na margem oposta da Marginal Pinheiros, boa parcela das órfãs da Villa Daslu agora circula por aqueles corredores com seus sapatos Louboutins e suas bolsas Bottega Veneta. Estão ali grifes como Giorgio Armani, Carolina Herrera, Hermès, Tiffany e Chanel.
Em uma outra frente de luxo, junto com o Cidade Jardim e o Iguatemi, o aguardadíssimo Shopping JK, dos mesmos empreendedores, já briga para abiscoitar a clientela de heavy users. Com um investimento orçado em R$ 240milhões, o JK vai ficar em um terreno vizinho à Villa Daslu e tem como sócio o dono do prédio, Walter Torre, pelo que se espera que agregue uma espécie de luxo remanescente. A Villa Daslu será ocupada por escritórios. A WTorre também não descarta a alternativa de transformar o espaço em teatro, marcando, assim, o fim de um ciclo.

Com informações do Estadão

Governo FHC desprezou o trabalho, o país não crescia

Governo Lula: De 2003 a 2010 a taxa de desemprego caiu 50%

A difícil busca das vítimas do golpe militar de 64

Ditadura: Polícia Militar e IML recomeçam busca de ossadas de desaparecidos
Peritos da Polícia Federal e do IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo reiniciam hoje escavações no cemitério paulistano de Vila Formosa em busca de ossadas de desaparecidos políticos vítimas da ditadura militar.
Nessa etapa do trabalho o objetivo é localizar os restos mortais de Virgílio Gomes da Silva, militante da organização de esquerda ALN (Ação Libertadora Nacional), desaparecido desde 1969.
Silva era conhecido como Jonas e participou do sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick em setembro de 1969.
Uma equipe de geofísica da PF analisou nas últimas semanas fotos aéreas, mapas e registros antigos do cemitério e delimitou três áreas em que há maior possibilidade de o corpo dele ter sido enterrado.
Os trabalhos de exumação serão feitos por cinco legistas (três da PF e dois do IML), um dentista e um perito em geofísica. A expectativa é que as buscas durem dois dias.
As ossadas retiradas do cemitério serão encaminhadas para uma base permanente de exames montada no IML.
No instituto, já foram iniciadas perícias para tentar identificar o corpo do militante Sérgio Corrêa, também da ALN.
Na primeira fase dos trabalhos de busca, em dezembro, foram recolhidos restos mortais de uma vala de Vila Formosa que provavelmente recebeu o corpo de Sérgio.
Essas ossadas estão sendo submetidas a exames de verificação de arcadas dentárias, dimensões de ossos e características de sexo e idade, para comparação com dados disponíveis sobre o militante.

Com Folha OnLine

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ronaldo ensaia para sair na Gaviões da Fiel

MST quer autonomia em relação ao governo Dilma

Principais pontos da entrevista de Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST sobre o quadro do movimento em 2011.
Governo Dilma: Nossa impressão preliminar é a de que o governo Dilma será mais ou menos a continuidade do governo Lula. A expectativa é que se possa, no governo Dilma, avançar mais na reforma agrária, embora os indícios iniciais sejam de que o tema está fora de pauta. Tanto no período eleitoral quanto no pós-eleitoral [mesmo no discurso de posse], o tema da reforma agrária não foi tratado. Historicamente, aliás, nós podemos afirmar que não temos um programa de reforma agrária. O que temos tido, ao longo da história brasileira, são programas de assentamento porque a estrutura fundiária brasileira continua inalterada, ou seja, grandes propriedades, alta concentração fundiária, grandes investimentos no agronegócio como forma de exportação de commodities para equilibrar a balança de pagamentos.
Governo Lula: O governo Lula avançou numa perspectiva de distribuição de renda com o sistema de bolsa, a elevação do nível de empregos e etc, mas sem mexer na renda dos ricos e sem mexer na estrutura altamente desigual que nós temos no país. Não vejo possibilidade de acabarmos com a pobreza no Brasil sem alterarmos isso. É preciso mexer na renda dos ricos, na riqueza do país, e, especialmente, no patrimônio. No caso, em particular da reforma agrária, [mexer] nas terras que estão servindo e serviram por muito tempo como reserva de especulação e hoje estão sendo utilizadas por grandes transnacionais para gerar lucros.
Movimentos sociais: Por ora, não há nenhum indicativo. Com o MST, não tem nada estabelecido. A gente espera, em um período próximo, fazer reuniões. Temos uma pauta emergencial para discutir com ela [a presidenta Dilma], mas, acima de tudo, temos uma pauta de médio prazo que acreditamos ser uma pauta da sociedade brasileira e tem a ver com o tipo de reforma agrária. Se nós continuarmos com a reforma agrária dentro da lógica de mercado não tem mais sentido. Se pensarmos um outro tipo de utilização do solo, dos recursos naturais, da água, numa perspectiva de preservação para o futuro, evidentemente, a reforma agrária passa a ser uma coisa moderna. Também queremos discutir sobre alimentação. Se a sociedade brasileira quer continuar consumindo alimentos altamente.
Agricultura familiar produz 70% dos alimentos:Podemos dizer que sim. Com uma quantidade menor de terras, a agricultura familiar e a média agricultura têm proporcionalmente uma produtividade de alimentação e de geração de empregos infinitamente maior do que a grande produção de exportação. Porém, a pequena propriedade e a média utilizam, em grande medida, todo o pacote tecnológico produzido e monopolizado por grandes grupos de transnacionais. Isso é preciso ser alterado.
Programa Nacional: No último período melhorou a situação dos créditos, mas ainda não é o ideal. Ela não tem produção em escala e, por isso, tem dificuldade. Em todo o mundo a pequena agricultura é subsidiada e, no caso brasileiro, devia ser também. Nós queremos melhorar a situação dos créditos, além de um volume maior, as condições precisam ser modificadas. Para ser considerado um assentamento, a área deveria ter estrada, escola, luz elétrica, casa, recuperação do solo e assim por diante. O que acontece é: quando se estabelece o projeto já se considera assentamento, mas ainda com toda a precariedade.
Agronegócio: Em primeiro lugar, o índice de produtividade, que é uma vergonha. O agronegócio alardeia desenvolvimento tecnológico e quer manter os índices dos anos 1970? É uma contradição. A segunda coisa é o trabalho escravo que nos deixa numa situação delicada internacionalmente. É inadmissível que o Congresso não tenha aprovado ainda a PEC do Trabalho Escravo [Proposta de Emenda à Constiutição nº 438] que aponta para o processo de desapropriação das terras. A terceira preocupação é com relação aos alimentos transgênicos. Além da soja, do milho, do algodão, há vários projetos de utilização de transgênicos que, possivelmente, entrarão em pauta no próximo período e que nos preocupa muito porque ainda não há estudos decisivos sobre o tema.

Com Agência Brasil


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Acabou a CPMI do MST: O bandido era quem acusava

Lavrador em estado de trabalho escravo
Sem alardes, CPMI do MST é oficialmente encerrada
Comissão chegou ao fim sem votação de relatório final. Notícia inaugura o Blog da Redação da Repórter Brasil, novo espaço para a divulgação de conteúdos variados que tenham relação com o trabalho desenvolvido pela Repórter Brasil
Acaba de ser lançado o Blog da Redação da Repórter Brasil. O espaço foi inaugurado para a divulgação e circulação ágil e simplificada de conteúdos que tenham relação com as atividades desenvolvidas pela organização.
Como notícia de abertura, o Blog da Redação destaca o encerramento formal da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada no final de 2009 para apurar, entre outros itens, denúncias sobre "desvios e irregularidades verificados em convênios e contratos firmados entre a União e organizações ou entidades de reforma e desenvolvimento agrários", mais particularmente aquelas próximos ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Criada - e prorrogada - por iniciativa de parlamentares ruralistas, a CPMI do MST foi coberta com uma pá de cal no último dia 31 de janeiro, sem que o relatório final fosse submetido à votação dos membros da comissão.
Além da CPMI do MST, o Blog traz também outras duas notas. Uma sobre a moção de apoio aprovada pela Comissão Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), na última terça-feira (15), que pede a contratação de novos auditores fiscais do trabalho, servidores públicos que atuam na linha de frente do combate à escravidão contemporânea.
E outra sobre a fotografia que compõe o cabeçalho do novo blog: trata-se de uma imagem captada durante libertação de 122 pessoas de fazenda de cana-de-açúcar arrendada por empresa do Grupo J. Pessoa. Mais de 1,4 mil trabalhadores foram libertados de condições análogas à escravidão de áreas ligadas desse mesmo grupo sucroalcooleiro.


Com Repórter Brasil

SP: PDB-Um partido voltado para o povo

Novo partido preocupado com as causas populares: Com Kassab, Indio da Costa e Kátia Abreu?
Vem aí o PDB, de costas para o povo.
O PSB, que há algumas semanas começou a negociar a mudança do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab - hoje no DEM - para suas fileiras, aguarda apenas a formalização da criação de um novo partido para discutir uma futura fusão. "É um partido novo que eventualmente se fundiria com o PSB", explicou o presidente do PSB em São Paulo, Márcio França.
Nos bastidores da negociação, especula-se que o prefeito levaria não apenas o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, mas outros democratas de peso, entre eles o da senadora Kátia Abreu (TO) e Indio da Costa, ex-deputado federal e vice na chapa presidencial de José Serra.
As tratativas do PSB começaram com a investida sobre Colombo, que viabilizou o contato com Kassab. Como o prefeito poderá manter seu mandato mesmo se desfiliando do DEM, a preocupação de Kassab é estender a mesma garantia jurídica para seus aliados e evitar a perda de mandato por infidelidade partidária. "É uma possibilidade real sim", admitiu o deputado federal Rodrigo Garcia (SP) ao se referir à fusão com o PSB. Kassab já contratou dois escritórios de advocacia para cuidar da estrutura jurídica do novo partido, o PDB (Partido da Democracia Brasileira). "Essa é a primeira fase, que vai levar alguns meses", contou França.
As negociações estão sendo conduzidas diretamente pelo presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Segundo França, a saída de Kassab do DEM e a criação do novo partido seriam a brecha que muitos esperam para mudar de legenda. "Neste período podemos ter surpresas. Ele (Kassab) pode arrastar com ele mais do que se imagina", sugeriu França.

Com O Estadão

Presidenta Dilma é um sucesso de crítica

Os elogios pipocam por todos os lados. A candidata que muitos consideravam uma espécie de fantoche do ultrapopular Luiz Inácio Lula da Silva é hoje descrita como uma presidente de personalidade própria, equilibrada e pragmática. A imagem adquirida por Dilma Rousseff junto a analistas, jornalistas e políticos é de uma chefe de governo capaz de rejeitar posições do seu próprio mentor e resistir ao fisiologismo de membros do Congresso.
Uma das medidas do governo que mais conquistaram admiradores foi o corte de R$ 50 bilhões no orçamento da União, anunciado pelo ministro Guido Mantega. A revista britânica The Economist, que defendeu a eleição do tucano José Serra, elogiou o maior compromisso do governo até agora com a austeridade fiscal, em contraste à herança deixada por Lula. Na mesma linha, o respeitado diário Financial Times escolheu o adjetivo "sólido" para descrever o início de governo da primeira mulher presidente do Brasil.
O jornal, que também havia declarado preferência por Serra na fase final da campanha, elogiou o fato de a petista ter sinalizado uma posição diferente da do governo Lula em relação a violações de direitos humanos no Irã. As diferenças entre criador e criatura também foram observadas pelo espanhol El País, que destacou uma suposta preferência de Dilma pelos caças americanos da Boeing para a Força Aérea Brasileira, em vez do francês Rafale, defendido pelo antecessor. Em apenas 45 dias no Planalto, Dilma Rousseff é um sucesso de crítica.
A boa impressão não tem se limitado à imprensa e analistas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que as primeiras semanas da petista como chefe da nação foram uma "surpresa positiva". Trata-se de um reconhecimento importante de um dos maiores nomes da oposição e adversário de Lula na histórica, e às vezes cansativa, disputa sobre quem fez mais pelo Brasil.
Mas quem importa para a presidente Dilma são os políticos em atividade, especialmente aqueles que, no papel, pertencem à sua base de apoio. Em sua primeira batalha na Câmara dos Deputados, por um aumento do salário mínimo mais modesto do que queriam centrais sindicais e a oposição, Dilma venceu com uma margem de mais de 200 votos. Além de reafirmar seu atual controle sobre sua base, expôs as fraquezas da oposição, formada por partidos que costumavam defender a austeridade, mas tentaram abraçar uma bandeira oposta devido a seus objetivos políticos.
Um admirado início de governo, no entanto, está longe de representar a certeza de sucesso. Uma lua-de-mel seguida de períodos desastrosos é tão comum na carreira de governantes como na vida de casais antes apaixonados. A primeira preocupação de Dilma Rousseff é com os problemas que estão à sua frente, que incluem o avanço da inflação, o enfraquecimento de parcela da indústria devido ao real fortalecido e o estado lamentável da infraestrutura nacional.
Como se não bastasse a necessidade de oferecer estradas, portos, aeroportos e energia elétrica apenas para administrar as necessidades básicas de uma economia em crescimento, o Brasil ainda tem de organizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada nos próximos cinco anos. E não poderá sair gastando como se não houvesse amanhã, o que nos leva à segunda grande preocupação da presidente.
Além de tomar medidas equilibradas e sensatas para proteger a economia, ela precisa também ser adorada pelos eleitores, mesmo adotando políticas supostamente impopulares. Só assim conquistará nas urnas um segundo mandato. Já respeitada pela crítica, Dilma Rousseff terá de mostrar se consegue ser também um sucesso de público.

Com BBC Brasil