terça-feira, 1 de março de 2011

Moradores de Irecê pedem PAC no varejo

Moradores de Irecê querem “PAC do Sertão”
Durante a visita que fará hoje (1º) a Irecê, no noroeste da Bahia, a presidenta Dilma Rousseff deve receber da comunidade pedido de criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Sertão. Os moradores querem investimentos pontuais, a curto prazo e com efeitos imediatos na vida das famílias.
A referência ao PAC, lançado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de realizar grandes obras de infraestrutura, é simbólica. Ao contrário do programa de Lula, com visão macro dos principais gargalos do Brasil, o PAC do Sertão defende ações “no varejo”.
Os moradores rurais e urbanos da região de Irecê esperam do governo obras e ações pequenas, baratas e variadas que possam modificar profundamente o cotidiano das comunidades carentes até de água potável. “Não precisamos aqui de coisas muito grandes. O PAC do Sertão, na opinião de muitos moradores, deveria conter obras e ações destinadas a fomentar a economia local. Nesse contexto estão as ações para acesso à água, os incentivos ao cooperativismo, o efinanciamento de dívidas agrícolas, linha de crédito agrícola, investimentos em formação técnica, creches e escolas.
A demanda por mecanismos de captação de água das chuvas irregulares é a principal. “Sem infraestrutura, as águas vêm e vão embora sem nada adiantar”, comenta o agricultor José Nilton Afro dos Santos, 47 anos.
José Nilton é beneficiário do Bolsa Família e conseguiu a construção de uma cisterna que capta a enxurrada e direciona a água para a irrigação de canteiros e para o consumo das cabras, que cria para corte.
A discussão sobre o PAC do Sertão também envolve a população urbana e foi objeto de debate dos comerciantes na semana passada, logo após receberem a notícia da visita da presidenta. “A região de Irecê pode ser comparada à Mesopotâmia, só que em vez do Tigre e do Eufrates, estamos entre rios que correm somente em uma parte do ano, o Rio Verde e o Jacaré.
Por isso são necessárias obras que tornem esses rios perenes” avalia o deputado Joacy Dourado (PT), empossado recentemente, que já foi prefeito de Irecê. A preocupação do parlamentar é com a baixa no nível da represa que abastece 486 mil pessoas em 14 municípios da região.
O documento com as reivindicações dos moradores deve ser entregue hoje a Dilma. Entre as reivindicações também estão melhorias no aeroporto de Irecê para que opere com voos comerciais, reforma de estradas, crédito agrícola, além da implantação de um centro regional de pesquisas.
Com informações da Agência Brasil

Reduto eleitoral tucano é campeão de alagamentos

Av. Pompeia na zona oeste
Zona oeste é a campeã de pontos de alagamento
A zona oeste de São Paulo é a região que mais sofre com enchentes em toda a cidade. De acordo com dados compilados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), os distritos de Butantã, Pinheiros, Lapa, Barra Funda, Perdizes, Vila Leopoldina e Jaguaré tiveram 2.512 pontos de alagamentos entre 1.º de janeiro de 2004 e a noite de ontem. Isso equivale a quase uma ocorrência por dia em uma área de 128 km², menor do que o município de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.
No total, o CGE registrou 8.027 pontos de alagamento em São Paulo desde 2004. Nesse ranking das inundações, a zona leste aparece em segundo lugar, com 2.214, seguida pela zona norte (987), zona sul (903), centro (863) e região sudeste (665). Essa tendência das regiões se mantém idêntica em todos os anos pesquisados no banco de dados do CGE - em 2011, por exemplo, a zona oeste já teve 275 enchentes, contra 205 da zona leste.
"Não é que chova mais ali, mas é que a drenagem das águas é insuficiente", diz o engenheiro civil Julio Cerqueira Cesar Neto, do Instituto de Engenharia (IE). "A galeria que deveria absorver o fluxo dos córregos e das chuvas não consegue dar conta do problema".
As duas principais intervenções planejadas pela Prefeitura para acabar com as enchentes na zona oeste seguem sem prazo para sair do papel. Um piscinão licitado por R$ 25 milhões e que poderia resolver as inundações na área entre a Rua Henrique Schaumann e a Marginal do Rio Pinheiros, segundo defende o governo, está barrado na Justiça pelos vizinhos contrários à obra.
O problema na Vila Madalena é parecido com o da Pompeia. Localizado ao lado da várzea do Rio Pinheiros, o bairro hoje famoso pelos bares era praticamente um brejo até os anos 1940. Com a urbanização, dezenas de córregos foram soterrados a partir de 1960. A impermeabilização desordenada tem seu efeito mais visível nas crateras que se abrem a cada chuva, resultado da erosão do solo causado pelos córregos que transbordam das galerias velhas.
O piscinão planejado pela Prefeitura em Pinheiros também teria reflexos positivos contra as inundações na Vila Madalena, de acordo com os técnicos do governo. Mas moradores da Jardim das Bandeiras moveram uma ação contra a obra e conseguiram barrá-la na Justiça. Segundo os moradores, o piscinão é uma solução simplista e de forte impacto urbanístico. Eles defendem a reforma das galerias pluviais do bairro, da mesma forma como a Prefeitura planeja agora para a Pompeia.

Com informações do Estadão


Serra deixa herança: Tietê alaga e marginais somem

Governo Serra: Após três anos da suspensão da limpeza, o Rio Tietê transborda mais de dez vezes em três meses



  

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Inclusão digital e banda larga livres de corte

Paulo Bernardo promete tentar livrar banda larga e inclusão digital de cortes
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, não se abalou com o corte de cerca de 57% no orçamento de sua pasta, anunciado nesta segunda-feira (28) pelo governo federal. Segundo ele, cortes terão que ser feitos, mas o ministério tentará preservar o Plano Nacional de Banda Larga e os projetos de inclusão digital.
“Vamos trabalhar com o orçamento que foi dado. Com certeza, teremos que tirar alguma coisa, restringir, fazer adequações no orçamento. Mas considero isso normal, não tem como ser diferente”, disse o ministro à Agência Brasil. O Ministério das Comunicações teve um corte de R$ 603,2 milhões de um orçamento total de R$ 1,055 bilhão.
Ele considera as restrições orçamentárias como algo natural. “Sou o último a poder reclamar. Mas isso faz parte do jogo”, afirmou Bernardo, que até o ano passado era o responsável por anunciar os cortes nos orçamentos dos ministérios, como titular da pasta do Planejamento no governo Lula.
Bernardo avalia que o governo deve trabalhar com orçamento equilibrado e, na incerteza sobre o comportamento da receita, o melhor é evitar gastos excessivos. “É natural que, iniciando o ano, não temos ainda convicção de como vai se comportar a receita, tem a inflação, o governo está tomando medidas que vão desaquecer a economia. Quando a economia perde ímpeto, temos receita menor. Acho natural que tenha a adoção dessas medidas.”
O ministro disse que os técnicos do ministério ainda estão avaliando cada área para ver onde serão feitos os cortes. Mas, segundo ele, os planos de inclusão digital serão preservados e também o Plano Nacional de Banda Larga, gerenciado pela Telebras. De acordo com Bernardo, a estatal teve orçamento liberado no final do ano passado, que não foi atingido pelo corte do governo.

Com Brasil de Fato





OSCAR Comédia: "O discurso do rei" do Trololó

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Trabalhadora não precisa se alimentar, não é chique

Clube obriga babá a usar branco e barra ida a restaurante
O crachá deve estar sempre no pescoço e a roupa deve ser toda branca. Em alguns dos mais tradicionais clubes de São Paulo, não basta às babás apresentarem carteirinha, como os sócios. É preciso estar trajada de acordo com as regras.
É assim no Pinheiros, no Paineiras e no Paulistano, todos na zona oeste, cujos títulos chegam a R$ 25 mil.
No Pinheiros, algumas babás relatam que são cobradas a usar calçados fechados, mesmo em dias quentes. No Paulistano, é preciso usar "sapatênis, sapatos ou tênis da mesma cor do uniforme".
"Acho discriminação", diz a babá Silvana Santana, 36, que vai ao Pinheiros duas vezes por dia. Na semana passada, ela teve apreendida sua carteirinha (onde se vê escrito "acompanhante") porque vestia bermuda jeans e blusa branca. Foi avisada de que só o patrão poderia retirar o documento.
Outra passou por uma "blitz de babás" e teve a carteirinha retida, pois não usava branco. Ficou "constrangida e envergonhada."
Sua empregadora, que preferiu não se identificar, afirma que ficou tão incomodada que enviou uma carta ao clube explicando que ela não usa uniforme em casa e pedindo que não tivesse de fazê-lo no clube. "Foi indeferido. Alegaram que é regra.
Juliana Rodrigues, 25, também babá, diz que já lhe chamaram a atenção no Pinheiros porque sua blusa branca tinha "uma florzinha no canto" e porque usava sandália "neste calor".
Diz ainda ser proibida de ir ao restaurante acompanhada apenas das crianças e conta que um sócio já pediu que ela se levantasse de um banco perto da piscina.

Com UOL



Kassab é o plano de Serra para derrotar Alckmin

A possível chegada do prefeito Gilberto Kassab, que prepara a saída do DEM, ameaça provocar uma baixa histórica no PSB. Desiludida, a deputada Luiza Erundina (SP) promete deixar o partido se o flerte for consumado.
Em tom de desabafo, acusou a direção da sigla de desprezar os ideais socialistas ao negociar a filiação de Kassab, que planeja levar aliados como o vice-governador Guilherme Afif (DEM).
"Eles representam forças claramente conservadoras, de direita. Se forem aceitos, não terei mais espaço no partido. Não terei razão para estar nele", afirmou Erundina.
Aos 76 anos, a primeira mulher a governar a capital paulista (1989-92) não poupou adjetivos para atacar a aproximação: "absurda", "inconsequente", "incoerente". Prometeu lutar "até o fim", mas admitiu ter poucas chances de brecá-la.
"Já estou isolada no partido há muito tempo. Se isso acontecer mesmo, não vou mais respirar politicamente no PSB", sentenciou.
"Não digo que serei um incômodo para eles porque não estarei mais lá. Se for o preço a pagar, não tem importância. Não vou transigir com o que acredito."
Filiada ao PSB desde 1997, Erundina disse que a negociação ameaça rebaixar os socialistas ao papel de linha auxiliar do ex-presidenciável José Serra (PSDB) na disputa com outro tucano, o governador Geraldo Alckmin.
"O PSB não pode ser barriga de aluguel. Kassab é o plano de Serra para derrotar Alckmin. É um pedaço do PSDB tentando derrubar outro pedaço do PSDB."
Para ela, os personagens em jogo são "absolutamente incompatíveis" com a história do PSB e não podem militar num partido que "tem o S de socialista no nome".
"Se admitir isso, o partido vai passar da esquerda para a direita. O DEM sustentou a ditadura militar, que nos impôs tortura, exílio e desaparecimentos. É uma mistura que a química não admite."
"Está havendo uma frouxidão além do razoável. Isso não é crescimento, é inchaço. Inchaço é doença, e essa doença vai matar a identidade do partido."
Reeleita para o quarto mandato com 214 mil votos, Erundina mantém a força nas urnas, mas sofre derrotas em série na legenda.
Ela evitou antecipar os próximos passos em caso de nova derrota dentro do partido. "Se for para disputar pelo poder pelo poder, poderia estar no PT, que é um partido maior e que ajudei a fundar", disse.
"Essas coisas não me motivam a permanecer na política. Não preciso disso, não tenho nada a ver com isso."

Com a Folha de S.Paulo

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Brasileirão de 2005: Roubaram a taça do Inter

'Máfia do Apito': réus no caso são condenados a pagar R$ 160 milhões
Teve continuação, com mais um capítulo, a longa novela da "Máfia do Apito". Segundo reportagem da revista "Veja", que já foi às bancas neste sábado, a 17ª Vara Cível da Justiça de São Paulo condenou com multa os réus no processo movido por manipulação de resultados no futebol brasileiro ocorrido em 2005. O ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que pertencia à Fifa, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o empresário Nagib Fayad terão de desembolsar, juntos, a quantia de R$ 160 milhões.
O ex-árbitro confessou ter recebido propina de grupo de empresários de São Paulo e Piracicaba para fraudar resultados nas partidas que apitava para favorecer apostas nos sites de loteria esportiva da internet. Após a denúncia da reportagem da "Veja" publicada em 2005, 11 partidas do Campeonato Brasileiro foram anuladas. Com isso, o Corinthians acabou sendo o campeão, e tanto Edílson quanto outro árbitro acusado de participar do esquema, Paulo José Danelon, acabaram afastados e expulsos do futebol.
Segundo a revista, o juiz da 17ª Vara Cível José Paulo Camargo Magano, que proferiu a sentença, considerou que, na escalação de "árbitros parciais", a CBF "não cumpriu o dever de garantir a observância de regras que assegurassem o regular andamento dos campeonatos".
A CBF informou à revista que recorrerá da decisão. Edílson, que admitiu ter recebido entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por partida fraudada, hoje trabalha no bar de um clube em Jacareí, no interior de São Paulo. Procurado pela "Veja" na última quinta-feira, o ex-árbitro disse que cometeu o erro por ter caído "em tentação".
- A tentação vai crescendo e fica difícil parar. Eu não tinha dívida, nada disso, mas dinheiro chama dinheiro. Se você tem um carro, quer um maior. Depois, quer ter dois. A gente não pensa em nada quando vê o dinheiro na frente.
Segundo o site IG, o empresário Nagib Fayad, o ex-árbitro Paulo José Danelon e a FPF (Federação Paulista de Futebol) também foram condenados e terão de pagar R$ 20 milhões. Danelon foi acusado de ter manipulado os resultados de dez partidas do Campeonato Paulista de 2005.
A Globo apoiou o campeão do assopro na latinha? Máfia do apito  foi divulgada e referenciada pelo Esporte Espetacular.

Com o G1


Canal Futura, o canal da Globo que ensina

    Bandeira da Líbia


    Bandeira do Líbano

 
    Canal Futura
    

Globo: Antes do padre Marcelo, Maria tira a roupa

   BBB um programa para a sua família. Globo e você tudo a ver

Construir o Fielzão é um desrespeito à Justiça

Promotor diz que construção do estádio do Corinthians é ilegal
Após a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o governo do estado de São Paulo anunciarem que o Corinthians pretende construir um estádio de futebol com mais de 65 mil lugares para abrigar o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, o promotor José Carlos de Freitas, em entrevista ao G1, diz que a realização da obra é ilegal e que fará o que estiver dentro da lei para impedi-la.
Segundo a Promotoria de Habitação e Urbanismo na capital paulista, a decisão sobre o destino da área na Zona Leste, onde o clube pretende erguer o "Fielzão", ainda está sob análise da Justiça e qualquer "promessa" pode ser encarada como desrespeito ao Poder Judiciário.
"A construção do estádio do Corinthians é ilegal", afirma o promotor José Carlos de Freitas, responsável por uma ação civil pública que pede à Justiça que o Corinthians devolva à Prefeitura de São Paulo o terreno onde quer construir o seu estádio, atualmente ocupado pelo centro de treinamento do time alvinegro.
A área, com mais de 200 mil metros quadrados e que fica próxima à Avenida Jacu Pêssego e estação de Metrô Corinthians-Itaquera, foi concedida ao clube paulistano em 1988 para ser usufruída por 90 anos. Segundo o promotor Freitas, em contrapartida, o Corinthians se comprometeu a construir um estádio em cinco anos, mas isso não foi cumprido dentro do prazo estabelecido. "Por isso peço a anulação da concessão", diz Freitas.

Descaracterizaram cemitério para dificultar buscas

Desde novembro, as equipes trabalharam na leitura de mapas anteriores a 1971, quando os militares promoveram uma grande descaracterização da área. O maior cemitério da América Latina teve árvores plantadas e quadras eliminadas ou renumeradas, num grande esforço para que o trabalho que ora se realiza fosse inviabilizado. “É um desafio bastante grande, mas a intenção é enfrentá-lo integralmente”, resume Marlon Weichert, procurador da República em São Paulo.
Mais de 20 ossadas foram retiradas ao longo desta semana de cinco sepulturas do cemitério de Vila Formosa, em São Paulo, na operação de busca por desaparecidos políticos da ditadura militar (1964-85). O foco desta etapa do trabalho era a localização do corpo de Virgílio Gomes da Silva, o comandante Jonas, morto pela repressão durante sessão de tortura em 1969 na capital paulista.
O processo de exumação foi acompanhado pelo Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, pelo Sindicato dos Químicos e pela família de Virgílio, autores do pedido que motivou a movimentação em Vila Formosa. “A gente tem mais esperança agora que vê que os trabalhos estão acontecendo, mas entende que ainda é como buscar uma agulha no palheiro”, afirma Isabel Gomes da Silva, filha de Virgílio.
Os familiares são decisivos também para auxiliar o Instituto de Criminalística da Polícia Federal (PF) a localizar sinais que possam levar à identificação do corpo. Entre as ossadas exumadas esta semana, boa parte está em péssimo estado de conservação, o que deixa poucas esperanças quanto à possibilidade de utilização do material genético fornecido pelos parentes. O depoimento da esposa de Jonas, Ilda da Silva, é importante para excluir possibilidades. Ela informou aos policiais que o marido não tinha dentes na parte superior da arcada, o que pode servir como critério para descartar alguns corpos.

Com Brasil de Fato

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O jogo sujo da Globo no Brasileirão

Nesta semana, nova guerra suja foi deflagrada no futebol brasileiro. Após receber uma tunda do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no meio da testa e ter de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), a Rede Globo perdeu seus privilégios monopólicos para adquirir os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro nos anos de 2012, 13 e 14.
Dessa forma, a concorrência prevista para o dia 11 de março passou a ter contornos muito mais interessantes, especialmente para os clubes, que finalmente viram uma claríssima brecha para elevarem exponencialmente seus ganhos com as milionárias transmissões televisivas. Isso porque antes a Globo tinha direito de preferência na renovação dos contratos, inclusive com acesso às propostas rivais, o que a fez tomar de vez as rédeas como sócia-proprietária do futebol nacional, em parceria com o todo poderoso Ricardo Teixeira, dono da CBF.
De agora em diante, por conta da determinação do CADE, a emissora terá de fazer aquilo que historicamente não está acostumada: jogar dentro de regras limpas. Obviamente, a medida acendeu as esperanças de outros canais de TV, sempre excluídos, na prática, das negociações. Record, e seu temido saco sem fundo de dinheiro, e Rede TV já declararam intenções de participar. Fora a Band, que já transmite, mas pode se livrar do jugo global, que lhe impõe o que pode ou não exibir. Na TV fechada, ESPN, Bandsports e Telefônica tentarão fazer frente à Sportv – de propriedade da Globo.
E neste ano há a grande novidade de se venderem os direitos de cada mídia separadamente, quando antes todas eram vendidas no mesmo pacote. Agora, TV aberta, fechada, Pay Per View, Celular, Internet e Direitos Internacionais serão negociados separadamente. O lance inicial para a TV aberta é 500 milhões de reais por ano (cifra do atual contrato), sendo que o Clube dos 13 calcula um rendimento total de 4 bilhões de reais ao final do período, na soma de todas as categorias.
A Globo já provou do veneno da emissora de Edir Macedo: perdeu os direitos de Londres 2012, pois neste caso não havia conchavo suficiente para que a Vênus Platinada levasse a parada por inércia. Quem deu mais levou, e pronto. No Brasil, não foi sempre assim que funcionou, devido à enorme subserviência de nossos dirigentes, sempre endividados, além de acomodados e aliados ao poderio global, que já fez diversos favores financeiros para apagar incêndios das agremiações.
No entanto, após anos de cobrança, o Clube dos 13, que reúne os 20 times mais influentes do país e juridicamente tem a prerrogativa de negociar o contrato de TV, após a providencial prensa do CADE decidiu adentrar o século 21 e elaborar uma licitação de verdade – simplesmente dentro das teorias do jogo capitalista. Ou seja, concorrência livre e aberta, quem der mais leva. Afinal, nossos clubes podem ser submissos e corruptos, mas precisam se resolver financeiramente.

Texto do jornalista Gabriel Brito (Correio da Cidadania)