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sábado, 5 de novembro de 2011

Trabalho escravo acontece ainda em todo país

Um trabalhador rural aposentado de 70 anos, de Matão, no interior de São Paulo, acaba de fechar um acordo milionário com uma usina da Cosan, líder em capacidade de moagem de cana.
Depois de dez anos na Justiça, ele fechou um acordo trabalhista de R$ 2,2 milhões.
Por causa do alto valor, o ex-tratorista que hoje vive numa pequena cidade próxima a Matão decidiu não revelar sua identidade, segundo informou o advogado dele, Pedro Cassiano Bellentani.
De acordo com o defensor, o ex-trabalhador rural atuou por 25 anos em uma fazenda de cana da Usina Bonfim, comprada pela Cosan.
Em 2000, ele foi demitido e, em seguida, se aposentou.
Entre as verbas trabalhistas estão valores referentes a horas extras, adicionais noturnos e refeições. Os juros e as correções monetárias do período alavancaram parte da quantia milionária, segundo o advogado.
O acordo foi assinado no último dia 26 de outubro. A juíza Gislene Aparecida Sanches, de Matão, afirmou que essa foi a primeira vez que presenciou um acordo milionário entre ex-trabalhador rural e grupo usineiro.
Segundo ela, a Cosan tem 20 dias para efetuar o pagamento integral ao ex-trabalhador, sob pena de multa de 50% do valor total.
O processo chegou a ficar no TST (Tribunal Superior do Trabalho) -instância máxima superior- por cinco anos, segundo o defensor.
CONCILIAÇÃO
Em maio, segundo a juíza, o ex-trabalhador rural procurou a Justiça durante a Semana Nacional da Conciliação, para que fosse feito o acordo da data de pagamento.
"Houve todo o tipo de recurso possível pela empresa e divergência nos cálculos, até a elaboração de um laudo pericial", afirmou a juíza.
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa, a Cosan informou que optou por fazer acordo, entendendo ser esta a solução mais adequada aos interesses de todas as partes envolvidas.
"A Cosan reafirma sua posição de total respeito aos direitos e interesses de seus colaboradores, bem como seu compromisso com as boas práticas trabalhistas."

Com Folha OnLine

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Cutrale além de aliciar trabalhadores cobra refeição

Envolvida em constante disputa judicial por aquisição ilegal de terras griladas na cidade de Iaras, São Paulo, a Cutrale agora é flagrada pelas condições subumanas com que trata seus trabalhadores.
Fiscais do Ministério do Trabalho encontraram irregularidades no alojamento de colhedores de laranja em Itatinga, São Paulo, que foram trazidos do Maranhão para trabalhar em uma fazenda da Cutrale.
Alguns trabalhadores foram ouvidos pelos fiscais do Ministério Público. Em seguida, foi realizada uma fiscalização no alojamento que fica em Itatinga. Mais de 20 homens vivem espalhados na casa de um prédio antigo, onde só há um banheiro com chuveiro aquecido.
Procuradores estiveram no alojamento da Cutrale em Itatinga, no centro-oeste paulista, e vistoriaram a casa, checaram documentos e conversaram com os trabalhadores do Maranhão. Os responsáveis pela alimentação dos funcionários também foram ouvidos.
Além das más condições do alojamento, os trabalhadores reclamam que pagam R$ 12 por dia pela alimentação, mas antes de virem a São Paulo, o valor acertado, segundo eles, era de R$ 1,25. Para Luis Henrique Rafael, promotor de Justiça do Trabalho, os trabalhadores foram aliciados, o que é crime.
As 32 pessoas chegaram a São Paulo no final de agosto. Dez deles fizeram empréstimo bancário para pagar a passagem de volta e retornaram no começo da semana. Outros 22 continuaram no alojamento.
Dois representantes da Cutrale estiveram no local e conversaram com os procuradores. Em nota, a empresa informa que já que está providenciando a rescisão de contrato dos trabalhadores que querem voltar para casa e que todos vão receber os direitos trabalhistas previstos em lei.
Ainda segundo a empresa, os funcionários contratados para a colheita de laranja são registrados em carteira e o acerto de contas deve ser finalizado ainda esta semana.

Com Agências de Notícias